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mai
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Moda recorre ao digital para produção e vendas

Há pelo menos dois meses, o passar as mãos por cabides de roupas, escolher algumas para levar ao provador e, então, decidir se vai adquirir o produto ou não, deixou de ser uma realidade. Brainstorms em grupos, escolha de tecidos, confecção das peças, shootings de modelos e exposição nas araras das lojas para o consumidor final foram algumas das etapas rotineiras da indústria da moda que foram afetadas pela pandemia do novo coronavírus. Agora, empresas do setor recorrem ao digital para manter a interação com o consumidor, realizar ensaios fotográficos e vender.

A maioria das lojas de roupas e parques fabris das varejistas estão com a operação fechada por conta das medidas de isolamento social. No caso da Hering, a parte industrial do negócio está trabalhando com capacidade mínima, visando manter as medidas de distanciamento e densidade de pessoas por metro quadrado. O planejamento, a criação e o marketing estão operando em home office.

“Sempre estivemos habituados a trabalhar com o olho no olho, neste contato físico próximo junto a equipes, parceiros e consumidores. É por meio dele que construímos ideias, desenvolvemos projetos de sucesso e realizamos novas descobertas, seja por meio de um brainstorm, um ensaio fotográfico ou em conversas em loja com nossos clientes”, exemplifica Thiago Hering, diretor executivo da Cia. Hering.

A saída foi recorrer ao digital. Para o Dia das Mães, as campanhas da Riachuelo e C&A foram realizadas remotamente. Em ” Amor Que Nunca Para”, publicada nas redes sociais da Riachuelo, mães famosas, anônimas e colaboradoras da marca, cantaram com seus filhos a música “Don’t Stop Me Now”, do Queen, ao redor da casa. As peças estreladas por Carol Trentini foram fotografadas pelo marido, Fabio Bertelt, depois que as roupas da coleção foram enviadas para a casa da modelo. As gravações forma autorais e a equipe da empresa editou.

Na campanha da Renner, mães e filhos receberam opções de roupas, fizeram sua própria produção e gravaram vídeos pelo seus celulares. O conceito da campanha foi explicado em reuniões por videoconferência. “A experiência deu certo e está sendo reproduzida em outras campanhas que estamos produzindo neste momento. Entendemos que esta é uma forma interessante de gerar conteúdo autêntico e de qualidade, garantindo a segurança das modelos”, diz Fabio Faccio, diretor presidente da Lojas Renner. A Renner suspendeu participação de modelos para cadastro de produtos no e-commerce da marca e está usando imagens de still, envolvendo o menor número possível de profissionais e seguindo todos os critérios de segurança recomendados.

Nesses dois casos, o processo foi para uma data comemorativa pontual, mas as varejistas já estenderam a experiência para ensaios editoriais, como foi o caso da parceria da C&A com a revista digital Garotas Estúpidas. As fotografias foram realizadas através de uma plataforma de vídeo.

Digitalização forçada

Na percepção de Thiago Hering, o momento pode reforçar comportamentos proeminentes, como o consumo mais consciente e planejamento de coleções mais longevas focado em produtos básicos e atemporais, que transitam em diferentes estações. É consensual entre os entrevistados que o momento propiciou a aceleração no desenvolvimento de soluções para a comercialização via canais digitais, que já constava como um caminho para o qual o setor vinha caminhando.

Até para marcas que nasceram no mundo digital e estavam expandindo sua presença física a pandemia deixou resultados. A Amaro teve que suspender a inauguração de três guide shops e modificou a produção de campanhas e do lookbook da marca, que foi realizado através da ferramenta Google Hangout. Porém, o período propiciou novas soluções, como a implantação do atendimento via WhatsApp e a criação da Mara, uma modelo virtual em formato de avatar desenvolvida com base em dados do time de business intelligence da marca, que vestirá e apresentará looks e lançamentos da Amaro em todas as plataformas digitais. A empresa também treinou 20 funcionárias de suas operações físicas para conversar, oferecer dicas e apresentar produtos para clientes através do digital no período de isolamento. Em abril, das compras feitas no site da Amaro, 40% foram de novos clientes.

Confira a reportagem completa: https://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/2020/05/14/moda-recorre-ao-digital-para-producao-e-vendas.html

Fonte: Meio & Mensagem.