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nov
04

O projeto de resiliência que transformou Medelín

A crise é uma fonte de oportunidades transformadoras, capazes de mudar para melhor a vida das pessoas e de uma região inteira. Essa é a principal mensagem deixada por Santiago Uribe Rocha, um dos responsáveis pela estruturação do Projeto de Resiliência, responsável por mudar radicalmente, em apenas 30 anos, a imagem de Medelín de uma das capitais mundiais do narcotráfico para uma cidade moderna visitada por turistas do mundo todo.

A apresentação de Santiago aconteceu, de forma virtual, durante Seminário da Retomada, organizado pelo Sebrae e parceiros de uma ação desenvolvida para acelerar a recuperação econômica em Cascavel, também afetada pela pandemia do coronavírus. “A experiência de Medelín pode ser bastante útil, porque mostra como, a partir de conceitos simples, é possível mudar para melhor realidades difíceis”, disse durante a abertura dos trabalhos o gerente regional Oeste do Sebrae, Augusto Stein.

A sede do Cartel de Medelín, comandado por Pablo Scobar, era uma das cidades mais violentas do mundo. Em 1991 o número de homicídios chegou a 6.349 e em 2019 caiu para 623. “Matávamos os sonhos dos jovens e precisamos, urgentemente, encontrar fórmulas eficazes de mudar isso”, segundo Uribe. Um dos primeiros passos na direção da transformação foi durante quatro anos ouvir a comunidade, entender as suas dores e ouvir as sugestões de melhorias.

A base de uma cidade está no intercâmbio, na segurança e nas oportunidades e, foi possível, a partir da compreensão da multiplicidade de Medelín investir em um projeto focado na educação, mobilidade, emprego, cultura e habitação. “E em todas as etapas valorizando as pessoas e o senso de pertencimento”, conforme Uribe. Sem dinheiro para executar tudo de uma vez, os arquitetos do Projeto de Resiliência desenvolveram a estratégica da acupuntura urbana, destinando recursos para as regiões mais problemáticas e os resultados são tão bons que viraram referência ao mundo.

Economia

O estrategista chefe da XP Investimentos, Fernando Bezerra, também participou do encontro e falou sobre cenários econômicos ao Brasil e ao mundo. “Vivemos o maior choque econômico dos últimos cem anos, um quadro inesperado que exige posturas poucas vezes implementadas”. A Europa, que vinha em recuperação, vive a segunda onda da pandemia e a grande questão que fica é se a retomada será em V ou em W, observou Fernando, que também fez apontamentos sobre o cenário eleitoral norte-americano.

Os estímulos governamentais à retomada chegam a 20% do PIB do planeta ou a US$ 20 trilhões. A diferença do início da crise para agora é que os laboratórios estão mais próximos da vacina. Seis estão em fase final de testes, e são pelo menos 60 em desenvolvimento em estágios diferentes. O Brasil, apesar de ter sentido o baque econômico com força, reage melhor do que o previsto. Em vez de recuo de 9%, o PIB deverá encolher 4,5% em 2020. Para 2021, o País deverá crescer 3,4%. “Nossas projeções são de que o Brasil vai se recuperar bem sem inflação alta, com juros ainda baixos e com dólar mais próximo de R$ 5 do que de R$ 6”, segundo Fernando.

Projetos

O diretor da W. Costa Consultoria e Projetos Econômicos, Wiliam Costa, falou durante o seminário sobre Implementação de projetos e investimentos. Citou sobre fases de um projeto (iniciação, planejamento, execução, monitoramento e encerramento) e da necessidade de adoção de padrão e qualidade com base no que orientam o BID e o governo federal. “Um dos pontos fundamentais é ter estrutura de viabilidade determinada, já que a análise é rigorosa”. 

Wiliam informou que é preciso dar importância ao entrelaçamento entre o que se quer e o que a instituição disponibiliza. Outro aspecto determinante é que o projeto tenha capacidade de geração de valor, considerando aspectos econômico, ambiental, social, regional e local. O Programa de Retomada Econômica conta com a participação de entidades do setor produtivo e da administração pública, que somam forças e ações em favor da recuperação econômica de Cascavel.

Crédito: Jean Paterno